
19 de Dezembro de 2010
Vermelho, azul, amarelo, verde…
Vermelho, azul, amarelo, verde…
Vermelho, azul, amarelo e verde, intermitentes, constantes, descoordenados, presentes durante horas que parecem não ter termino.
Vermelho como sangue, relembrando todas as feridas em tempos abertas, perdoadas mas nunca esquecidas.
Azul, como o mar, que me transporta para uma calma por vezes tão difícil de alcançar, desejada mas temida por todos os pensamentos que advêm da sua permanência.
Amarelo como areias de um deserto ainda fresco na memória e nos sentidos, pelos quais sorrio e me delicio.
Verde como maçãs ácidas que trinco com satisfação sempre que exausta, vejo a caminhada terminada.
Vida, momentos, acontecimentos despertos numa tarde de inverno, fria mas aconchegante, por luzes, por cores, por o silêncio de uma casa vazia, onde oiço a minha respiração hesitante juntamente com o frenesim no exterior, perceptível pela sonoridades de carros, comboios, pessoas que se deslocam em massa para as compras de natal.
Um natal esquecido por entre o consumismo descontrolado. Embrulhos com intenções vazias, sem alma para decorar a ideia desvanecida do natal nos antepassados mais longínquos.
Hoje, e nos escassos e reduzidos dias que se seguem, seremos ingénuos, sinceros os mais corajosos serão puros, bondosos até. Simplesmente porque sim, porque a amnésia ocupa todo o resto do tempo.
Por um momento, por estes dias seremos uma relíquia, diamantes em bruto com tudo para dar, penitenciamo-nos de um ano repleto de tudo o que repugnaria o motivo deste natal.
Poucos são os que permanecem intocáveis, capazes de reproduzir um sentimento nobre sem um pensamento comparável como degrau…
…Vermelho, azul, amarelo e verde…